
"- Não me desposes apenas para me abandonar! - implorou. - Esta é a nossa noite de núpcias!
- Amanhã - sussurrou ele, quase estendendo a mão para afagar o rosto dela - olharemos para trás e riremos de tudo isto.
- Amanhã talvez nunca chegue! - soluçou Guilietta na palma da mão.- Haja o que houver - garantiu-lhe Romeo -, estaremos juntos. Como marido e mulher. Eu te juro. Neste mundo... ou no outro."
A Hist
ória: A mais trágica história de amor de todos os tempos, Romeu e Julieta, sempre foi um objeto de adoração para a jovem Julie Jacobs. Sabia todas as falas de cor e sonhava com a promessa de um amor eterno que sobrevive às barreiras do tempo. O que Julie não sabia era que depois da morte de uma tia que a criou, ela descobriria que era descendente da Giulietta de Shakespeare, e que sua mãe morreu tentando encontrar um tesouro há muito escondido, um tesouro que pertencia à sua família.
Além do tesouro, Julie, ou Giulietta como descobriu que se chamava, encontrou livros, cartas e diários datados de séculos atrás contando uma história sobre um casal apaixonado, que contradizia à história conhecida por todos nós. Diferentes sobrenomes, três famílias e não duas, e personagens inimagináveis. Porém, infelizmente, uma história não menos triste.
Enquanto vai descobrindo as verdades sobre o conto de Romeu e Julieta, Julie vai conhecendo verdades sobre ela mesma, sobre a pessoa que ela era e quem viria a se tornar ao se ver no meio de mistérios, morte, pessoas em quem ela não podia confiar e uma paixão, que também ultrapassaria as barreiras do tempo.
Minha Opinião: Quando eu era muito menina, surpreendia minha mãe pedindo para que ela colocasse no vídeo-cassete (isso existe ainda?) um filme que ela gravara há muito tempo. Não era nenhum desenho de Walt Disney, mas sim Romeu e Julieta de Franco Zefirelli, uma linda versão com a inesquecível Olivia Hussey que até hoje me encanta. Ali nascia minha paixão por essa história, e posso dizer claramente que Anne Fortier me fez amá-la ainda mais.
Não consigo definir em palavras o que toda a história me fez sentir, porque sinceramente não acho uma palavra... não sei o que esse livro fez comigo. Parece uma coisa sobrenatural, juro... mas eu me senti completamente transportada para dentro da obra, desejando ser Julie e me descobrir descendente de uma das personagens que eu sempre amei, desde pequena.
A forma como Anne transportou o romance para os dias atuais e como ela intercalou os fatos de 1340, contando a história da paixão avassaladora que tomou conta de dois jovens cheios de vida, que ao contrário do que Shakespeare nos contou, não eram de famílias inimigas, me fascinou. A maneira como ela uniu esses "fatos" com a busca da protagonista por suas raízes e por sua história também foi genial.
Alessandro também foi uma grata surpresa. Ele cresceu como personagem infinitamente e foi um perfeito herói para uma heroína espirituosa, inteligente e a típica "patinho-feio" que se tornou cisne. Ele, com seus segredos, com seu toque sedutor de mistério, que oscila entre mocinho e bandido, ganhou a cena. E não podemos deixar o Romeo de lado. Esqueça aquele Romeuzinho franzino, bobinho e meio canastrão do filme. Nesse livro, ele é digno do personagem que o imortalizou.
Preciso me conter, senão vou ficar horas falando desse livro mágico. Só posso dizer que ele me ganhou desde o prólogo, que é uma coisa linda! Talvez eu seja romântica demais, goste demais de poesia e histórias medievais, mas só posso dizer que Anne Fortier acertou no tom. Julieta é lindo, fantástico, poético... *suspira*. Virou favorito!
Quantas Estrelas: ***** (posso dar dez?)
Tem uma trilha sonora? Tinha que ser esse... A Time for Us, o verdadeiro tema de Romeu e Julieta.